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Em vários filmes de ficção científica, vemos muitos alienígenas humanoides, isto é, com aparência similar a

Peter Mayhew, ator que está por trás da fantasia de Chewbacca
Peter Mayhew, ator que está por trás da fantasia de Chewbacca

humanos: um tronco de onde saem 4 membros e uma cabeça. É claro que isso acontece porque é mais barato e fácil produzir seres assim no cinema e também é importante para que os espectadores se identifiquem com os personagens. E na realidade? Será que é possível essa semelhança toda entre seres de galáxias muito muito distantes?

Começamos com a Panspermia que é uma teoria que diz que a vida nasceu em um lugar e foi espalhada por vários lugares. Se seguirmos essa teoria, todos os indivíduos vivos (de todos os planetas) teriam um ancestral comum que teria passado suas   características humanoides a seus descendentes. Uma possibilidade dessa teoria é uma civilização superior espalhando sua genética por aí, mas esse processo que é planejado é muito improvável, ou você acha que é fácil ter um monte de ETs com altas tecnologias de transporte intergaláctico disseminando sua genética por aí? (não, não é nem um pouco plausível). O que nos resta é um tipo de panspermia que acontece por acidente: a “panspermia balística”.

panspermia
Vida chegando em algum lugar

Panspermia balística é quando, por exemplo, um meteoro atinge a superfície de um lugar com vida e essa colisão ejeta pedaços de rocha cheios de micróbios dentro. Esses destroços chegam em outros planetas e a vida que ele carregava então se desenvolve. Apenas seres microscópicos aguentariam a hostilidade do espaço, os impactos, as pressões e a radiação. Porém, obviamente micróbios não são humanoides, portanto não podem passar para seus descendentes essa característica genética que não possuem. Além disso, de acordo com nossos fósseis e estudos sobre a evolução, nós nitidamente evoluímos e chegamos à forma humana aqui na terra mesmo, então nada de panspermia, galera. Uma outra possibilidade então seria a evolução convergente.

Evolução convergente acontece quando duas espécies, por caminhos evolucionários  diferentes, chegam a características parecidas. Um exemplo aqui da Terra são as asas em insetos, asasaves e mamíferos. As águias não evoluíram a partir dos insetos que tem asas, mas ambos conseguiram essa característica alada por caminhos evolutivos diferentes. O mesmo vale para o morcego, mamífero que voa. Para que a forma humanoide chegue em diversos lugares pela evolução convergente, é preciso que ela seja eficiente em lugares diferentes porque o meio seleciona os mais adaptados e é determinante na evolução.

Na água aqui na Terra, por exemplo, os animais tendem a ter corpos que deslizam bastante. Isso acontece porque, à medida que a evolução foi acontecendo, os que tinham corpos mais adaptados ao meio sobreviveram. Nesse caso os peixes mais hidrodinâmicos (tipo aerodinâmico, só que na água, sacou?) conseguiam fugir e caçar melhor, sobrevivendo mais que os One-happy-fishoutros não tão esguios. Da mesma maneira, outros planetas, que possuem ambientes diferentes, selecionam seres vivos com características diferentes. A gravidade, por exemplo, limita o tamanho dos seres vivos. Quanto mais fraca for a gravidade, menos força é necessária para que um ser vivo fique de pé e por isso é mais fácil que em planetas com gravidade fraca, seres vivos sejam bastante altos.

O raciocínio para que a forma humanoide seja perfeita para seres mais inteligentes, porém, tem mais a ver com as ações dos animais e menos com o ambiente: a partir do momento que passamos a andar em duas pernas, tínhamos as mãos livres para manusear objetos, passamos a ter de pensar mais no que fazer com esses objetos e aqueles que conseguiam produzir as melhores armas e outros utensílios sobreviviam. Com o tempo, os cérebros foram ficando mais desenvolvidos até chegarmos ao nível intelectual atual, mesmo que algumas pessoas pareçam não estar conseguindo acompanhar. A explicação é ótima, mas também é a única que temos pois nunca vimos outro animal tão inteligente para sabermos outros caminhos evolutivos para chegar à nossa capacidade de raciocínio.

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Suricatos estranhando o Velociraptor.

A postura ereta, bípede e com dois braços parece ter surgido na natureza diversas vezes independentemente (igual as asas citadas lá em cima) por exemplo em suricatos e velociraptors. Talvez faça mesmo sentido ter mãos livres para manusear coisas e uma cabeça acima com os sentidos com maior área de visão. Mas, novamente, isso é o que temos, então faz sentido para nós.

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Simetria Bilateral (besouro), Radial (pólipo) e inexistente (sem simetria, esponja).

Da mesma forma, usando esse raciocínio cada vez mais chegando a característica mais básicas, a simetria bilateral apareceu várias vezes nos diversos ramos da árvore evolutiva na Terra e essa característica é associada aosurgimento dos sistemas nervosos mais complexos. Essa, portando pode ser, mais provavelmente, uma característica de um possível ET inteligente que nós viermos a encontrar.

Ou seja, em suma, pela diferença absurda que deve haver entre nossos e outros planetas habitados, é pouco provável que outros seres inteligentes sejam humanoides. Apesar de podermos entender a lógica que levou cada espécie a tomar a forma que tomou observando seu meio e seus hábitos, não podemos fazer o inverso com tanta precisão, isto é, ao analisar um meio, não conseguimos deduzir com precisão qual tipo de criatura existe alien___h_r__giger_pitch___by_adonihs-d2xjobmali. Nem mesmo aqui em nosso planeta poderíamos deduzir que nós seriamos assim, porque uma parte do processo evolutivo é a variabilidade aleatória dos genes. Nunca saberemos ao certo como serão os ETs, só quando a gente der de cara com um, o que eu espero que não aconteça nem tão cedo.

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Aprender faz você se achar mais burro e isso é muito bom! Estou sempre correndo atrás de coisas para aprender e me amarro em explicar para as pessoas o que eu aprendi (mas só quando me perguntam e ninguém me pergunta). Estudo publicidade mas isso não quer dizer nada além de eu saber usar a Varinha Mágica do Photoshop. Se alguém se importar, sou ENFJ.

6 COMENTÁRIOS

  1. Muito boa matéria.
    Provavelmente a atmosfera, clima, gases, temperatura e a necessidade de sobrevivência e adaptação de acordo de cada planeta (suponhamos que tenha vida) é que molda a característica do ser assim como sua evolução.

    Viajei, rsrsrs….

    • Viajou nada! Haha Digamos que todos esses fatores que você citou provavelmente moldam a evolução em si. Obrigado por estar sempre dando uma passada por aqui. Hahaha Vlw, Bruno! :)

  2. Excelente post Lucas!
    Meus parabéns!!! O site está muito bem-humorado, interessante e ético!!! Não são todas as pessoas que mostram suas fontes. Continuem assim…
    Só de curiosidade, na época que eu cursava a Escola Técnica de Química, havia um professor doidão de Geologia e Mineralogia, que sempre dizia que é muito egoísmo nosso achar que só há vida inteligente aqui na Terra, já que no Universo existem muitas galáxias semelhantes à Via Láctea com sistemas solares e planetas semelhantes ao nosso, mas com idades diferentes. Por esse motivo, segundo ele, seria razoável acreditar que nesses planetas (em condições iguais a da Terra) houvesse vida. Nos mais “novos” talvez existissem seres menos evoluídos que nós (microorganismos) e nos mais “velhinhos” pudessem existir seres super evoluídos (humanoides ou não, sei lá) e mais desenvolvidos do que os terráqueos… Ah, ele dizia também que cientistas fizeram uma simulação da evolução dos dinossauros, caso não tivessem sido extintos, e o resultado foi um homenzinho com cabeção oval e olhos grandes, tipo aqueles da área 51.
    Eita, viajei na maionese legal! kkkkkkkkkkkkk
    Boa sorte e muito sucesso pra vocês!!!
    Forte abraço.

    • Obrigado, Luís!
      É muito egoísmo mesmo achar que só tem vida aqui, o universo é tão bizarramente gigante que é quase certo que exista vida além da Terra (e da estação espacial que não é Terra, mas é quase rs). Sobre esses super evoluídos existe uma contradição chamada “Paradoxo de Fermi” que diz:

      “Os aparentes tamanho e idade do universo sugerem que muitas civilizações extraterrestres tecnologicamente deveriam existir. Entretanto, esta hipótese parece inconsistente com a falta de evidência observacional para suportá-la.”

      A partir disso, existem muitas teorias para essa falta de evidências que vão desde grandes filtros que selecionam quais civilizações continuam existindo e quais deixam de existir até civilizações mais evoluídas simplesmente fingem ser invisíveis. Esse paradoxo vai ser assunto de outro artigo aqui do site em breve. Então fique ligado! hahaha
      Abração!

  3. Parabéns pelo artigo Lucas! Adorei! Falei do seu blog para meus amigos aqui na Europa e muitos adoraram o conceito! Uma dica para vocês: se tiverem interesse em evoluir neste projeto escrevam em inglês também! ;) Apesar do Facebook ter tradução você podem aumenta significativamente o alcance do seu trabalho que é sensacional!!!! Repito: sou a big fan!!

    • Oi Ana,
      muito obrigado! Fico feliz que esteja gostando!
      Sim, planejamos escrever também em inglês no futuro. Esperamos ter um pouco mais de tempo para realizar esse e outros planos para o site!
      Continue acompanhando!
      Um beijo!

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