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Power plants chatting
Inocentes usinas sendo destruídas…

Para algumas pessoas, a palavra “nuclear” já é o suficiente para gerar arrepios. Depois de toda a destruição ocasionada pelas bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, dos acidentes de Chernobyl e Fukushima e das diversas vítimas de radiação, por que continuar investindo em fusão nuclear já que possuímos inúmeras fontes de energias renováveis ao nosso dispor? Porém, vamos analisar… De onde vem a energia captada pelos painéis solares? Ah, essa é fácil, do Sol! E uma usina hidrelétrica, de onde retira energia? Do movimento das águas que, por causa de um desnível, corre dos lugares mais altos para os mais baixos, girando uma turbina e portanto gerando energia. Mas como essa água chegou lá em cima? Ela primeiramente subiu e formou nuvens por conta da evaporação, que é ocasionada pelo… Sol.

A origem dos ventos é o Sol.
A origem dos ventos…

E os ventos? Como eles se formam? Existem dois tipos básicos, porém ambos funcionam de formas parecidas… Os ventos de pequena escala são gerados pelo Sol, que aquece o solo e por consequência a camada inferior de ar, fazendo com que ela suba (por isso que um balão sobe). Esse deslocamento acaba gerando os ventos “pequenos”, como a brisa do mar. E os ventos de larga escala? A radiação solar incide em diferentes partes da Terra em ângulos diferentes, fazendo com que regiões equatoriais sejam mais quentes que os polos. Ou seja, grandes massas de ar sobem nessa região, causando uma diferença de pressão e gerando os ventos em escala global. E se você gerar energia queimando combustíveis fósseis? Toda energia de matéria orgânica vem do começo da cadeia alimentar: as plantas. Plantas essas que usam a fotossíntese para captar energia. Ou seja, vem do Sol. E se você for monstrão e girar um moinho para gerar energia? Sua energia veio do frango e da batata doce dos alimentos. Matéria orgânica. Plantas. Sol. Eu poderia continuar essa lista indefinidamente, porém acho que já está bem claro: nossa energia vem do Sol. Mas o que gera a energia do próprio Sol? … Fusão nuclear.

Capa do artigo sobre sol
Não é possível apagar o Sol com água pois ele não está queimando. [Capa do artigo antigo]
Se você acompanha o SciBreak há um tempo, já deve ter esbarrado no artigo “Quanta água é preciso para apagar o Sol?”, que explica com muito mais detalhes o fato de que o Sol não é uma imensa bola de fogo como muitos pensam, mas sim um imenso reator nuclear. Vamos entender um pouco mais sobre essa fonte de energia… Sabe a famosa equação de Einstein E=mc²? Ela relaciona massa (m) e energia (E). Esse “c” é a velocidade da luz, velocidade mais rápida do Universo e equivalente a 300.000 quilômetros por segundo. Ainda por cima, é multiplicada por ela mesma (c²)! Ou seja, um pouquinho de massa pode ser convertida em muita, muita energia. (Também já explicamos isso aqui: “Você é mais leve pela manhã?”) Basicamente, há duas maneiras de fazer essa conversão: fissão nuclear e fusão nuclear. E é aí que muitas pessoas se enrolam pois um processo pouco tem a ver com outro…

Fissão é o processo utilizado nas famosas bombas atômicas e nas polêmicas usinas nucleares. Já a fusão ainda é um processo experimental. Cientistas de todo o globo buscam há uma centena de anos uma maneira de “reproduzir o Sol na Terra”. De uma maneira simplificada, na fissão nuclear, um átomo grande é dividido em dois ou mais átomos menores, liberando energia. Isso é alcançado chocando pequenas partículas contra esses átomos que, quando quebrados, liberam mais dessas partículas, que se chocam com outros átomos e por aí vai, causando uma reação em cadeia. Já na fusão nuclear, dois átomos pequenos se fundem (daí o nome), formando um maior. Isso é alcançado com extremas pressões e temperaturas, muito difíceis de serem alcançadas aqui na Terra. O núcleo do Sol por exemplo alcança uma temperatura de 16 milhões de Cº! Nessas condições, os átomos conseguem superar as forças que os separam para que possam se fundir. Uma história de amor melhor que Crepúsculo.

Processo de fissão nuclear
Processo de fissão nuclear
Processo de fusão nuclear
Processo de fusão nuclear

Outra diferença crucial é que a fissão libera diversas partículas altamente radioativas, enquanto que a fusão é extremamente segura nesse sentido. Além do mais, se você acha que a fissão libera muita energia, saiba que a fusão libera muito mais! Na explosão nuclear de Hiroshima, apenas 0,7 gramas de Urânio foram o suficiente para gerar uma explosão equivalente a 15.000 toneladas de TNT. Já a fusão nuclear gera uma energia de 3 a 4 vezes maior que a fissão. Não é a toa que tanta energia vem do Sol… Muita energia e pouco risco de radiação, parece um sonho de consumo, não? Seria, se ela não fosse tão difícil de alcançar. A fissão nuclear é relativamente fácil de se produzir, enquanto que a fusão, bem… Ainda estamos tentando até hoje. Pense, como manter um punhado de plasma em altas temperaturas e pressões sem que ele danifique o reator? A melhor solução encontrada até agora foi o Tokamak, um reator em forma de rosquinha inventado pelos russos, aonde um campo magnético mantém o plasma girando dentro da “rosquinha” sem que o mesmo encoste na parede do reator.

reator de fusão Tokamak
Esquema de um reator de fusão Tokamak

Porém, até hoje ainda não conseguimos alcançar uma fusão sustentável. Ou seja, ainda precisamos fornecer muito mais energia do que ele produz. “Mas e se houver um ataque terrorista num reator desses?” Bem, nesse caso, muitas pessoas morreriam… Afinal, é difícil não morrer quando um avião cai em você. A fusão nuclear é tão difícil de alcançar que, no caso de um acidente qualquer, a fusão simplesmente cessaria. No pior dos casos, o reator seria irrecuperavelmente danificado e os trabalhadores obviamente estariam em risco. Porém, o risco de um reator de fusão explodir como uma bomba atômica é simplesmente zero. Mesmo num caso extremo de um ataque terrorista, a radiação emitida não seria um fator de risco para o ambiente nem para as cidades ao redor. Os reatores nucleares atuais realmente são extremamente polêmicos e deve sim haver um debate para que se pese os prós e os contras. Já com a fusão nuclear, praticamente não há motivos para não buscá-la. Alguns poucos reatores dariam conta de toda a demanda de energia mundial e provavelmente ainda seria o tipo geração de energia mais segura do mundo. O único problema talvez seja a perda de tempo, afinal, já estamos tentando alcançá-la desde o século passado. Porém, novas tecnologias estão surgindo, como a fusão a laser nos EUA e um reator maior do que qualquer outro já visto sendo construído na Europa. Para uma espécie que está à beira da morte, que gastemos o pouco tempo que resta com as soluções e não com os problemas.

Fontes: Met Office, Diffen, Livro A Piece Of The Sun

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