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O lavoisier ewdpai da química era formado em direito. Sim, Antoine-Laurent de Lavoisier se formou em direito, mas nunca exerceu a profissão. Nascido em 1743, trabalhou muito tempo em uma “tax farm” (fazenda de impostos) chamada Ferme générale que pagava os impostos ao Rei com antecedência (através de estimações do quando poderia-se ganhar com determinada parte da população) e, em troca, podia cobrar os impostos das pessoas. É claro que a empresa podia cobrar o quanto de impostos quisesse a mais, entregava o valor combinado com o rei e lucrava com a diferença. Ele usava esse trabalho como forma de financiar seus equipamentos e seus experimentos, mas infelizmente esse acabou sendo o motivo de sua morte em 1794.

lav5Mas vamos falar da vida dele. Aos 28 anos, ele se casou com a mulher que viria a ser conhecida como Madame Lavoisier que teve importante papel na carreira científica de seu marido. Ela o ajudava nos experimentos, fazia gráficos pois era uma excelente ilustradora e o ajudava com os artigos em língua inglesa já que Lavoisier não manjava muito, só sabia falar francês. Depois que ele morreu, ela se casou com outro cientista, mas já estamos falando da morte do cara de novo. Voltando à VIDA dele.

Lavoisier tentou entrar na Academia de Ciências de algumas formas. Uma delas foi enviando artigos sobre seus experimentos com gesso. Ele descobriu que quando se aquece o gesso, a massa dele diminui em um terço e um vapor sai dele, vapor esse constituído apenas de água. Descobriu também que, se adicionar água líquida ao pó que restou do primeiro experimento, a forma original é retomada. Ele fez, também, experimentos usando hidrômetros para saber o peso específico de líquidos, ou seja, qual é o peso de outros líquidos em relação ao da água. Dentre outros de seus feitos estão a melhora da qualidade da pólvora francesa o que fez, inclusive, com que o país começasse a comercializar o produto.

phlog-image1Uma das principais contribuições de Lavoisier para a química foi a derrubada da teoria flogística. Essa teoria explicava a combustão (coisas pegando fogo) dizendo que substâncias combustíveis tinham um elemento chamado flogisto e, durante a combustão, esse elemento se separava da substância junto com luz e calor.

Essa teoria não fazia sentido pois, segundo ela, todas as substâncias após uma combustão deveriam ter uma redução de sua massa, já que o flogisto abandonava a substância. E era o exato oposto que acontecia com algumas substancias como os metais. Eles ganhavam massa na combustão. O mesmo acontecia nos experimentos com fósforo e enxofre. Lavoisier, então, passa a considerar que o ar foi fixado nessas substâncias e “se tornou sólido” durante a combustão.

PriestleyJoseph Priestley, um curioso inglês que havia feito experimentos com gases (pois morava ao lado de uma fábrica de cerveja) visita Lavoisier na França em 1774. mercury-oxide-red-250x250Em uma conversa, conta que conseguiu isolar, com a queima de uma substância chamada óxido de mercúrio (é claro que eles não chamavam a substância tão tecnicamente assim na época, estava mais para um “pó vermelho”), um ar mais puro que facilitava a respiração e fazia a chama de uma vela queimar por mais tempo. Nosso cientista francês repetiu os experimentos do inglês Priestley.

b4ce9cb4d3b4ba5a0770cd71c42f9613Ele deduziu, então, que o ar não era uma substância simples, mas sim composta de dois elementos: um que era respirável (oxigênio) e outro asfixiante (nitrogênio). Por achar que todos os ácidos tinham “ar respirável” em sua composição, acabou dando o nome de oxigênio que significa “que gera ácido”. Depois descobriu-se que não é bem assim, existem ácidos sem oxigênio, mas o nome já tinha pegado e acabou sendo usado até hoje.

Outra das muitas experiências dele foi colocar um pedaço de estanho em um reservatório vedado com ar e aquecer. Quando abre o reservatório, um pouco de ar entra, mostrando que o ar que estava lá dentro diminuiu. Ao mesmo tempo que ele observa um aumento da massa do estanho, ele percebe que esse aumento foi igual à massa que “sumiu” do ar.

proporçãoEle foi pioneiro na chamada estequiometria (terror de qualquer aula de química do ensino médio) pois calculava muito precisamente os elementos antes de fazer qualquer experimento. E ainda tomava muito cuidado para as reações não serem atrapalhadas, vedando as passagens de gás, como no exemplo do estanho. Assim, ele sabia exatamente o quanto de cada substância havia antes e depois de cada reação e, a partir daí, ele passou a conseguir determinar precisamente as reações que aconteciam.

Uma consequência disso é uma das teorias criadas por ele: a teoria da conservação das massas. Essa teoria diz que toda vez que uma reação acontece em um sistema fechado (em que nada entra e nada sai) a massa continua a mesma. Ela pode mudar de local, passar de uma substância para outra, mas ela nunca aumenta ou diminui. Daí vem a famosa frase dele: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Nothing is lost, nothing is created, everything is transformed.

Ele, junto com outros três cientistas da  época (L. B. Guyton de Morveau, Claude-Louis Berthollet e Antoine François de Fourcroy) lançaram a primeira sistematização de elementos químicos depois dos famosos 4 elementos da natureza (acredite, até aquela época se aceitava isso como verdade). Era apenas 55 elementos, muitos hoje sabemos que não são elementos, mas foi o primeiro bom passo para uma química mais desenvolvida e completa. Dentre esses elementos estava o oxigênio, hidrogênio,carbono, nitrogênio (chamado, na época, de azoto), luz, calor entre outros.

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Pouco depois de estourar a Revolução Francesa, todos os oficiais da Tax Farm que Lavoisier participava foram presos. Ele foi acusado, entre outras coisas que desvio do tesouro francês e foi decapitado. Bom … esse foi seu fim. Finalmente consegui falar da morte dele propriamente dita. Como dizem: “a terceira vez é a que vale”. Opa, espera aí. Isso é superstição.

Vamos voltar a Lavoisier. Ele foi um dos primeiros a pregar um raciocínio parecido com o que hoje chamamos de Método Científico. Ou seja, buscar o conhecimento se utilizando de observação e experimentação porque, segundo ele, nosso raciocínio é muito limitado se comparado a experimentacao, por exemplo.

Lavoisier, portanto, não gostaria que um texto sobre ele acabasse com uma superstição. Acabará, então, com uma citação dele (em tradução feita pelo SciBreak):

“Nós não devemos em quaisquer coisas que não sejam os fatos: eles são apresentados a nós pela natureza e não pode nos enganar. Nós devemos, em qualquer circunstância, submeter nosso raciocínio ao teste, à experimentação e nunca procurar a verdade por um meio que não seja o caminho natural da experimentação e observação.”

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