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A temperatura da superfície solar chega a quase 5000 °C e seu núcleo pode chegar a quase 16 milhões °C. (Muito próximo de um dia de verão no Rio.) Apagar o Sol não será uma tarefa fácil… De quanta água especificamente nós precisamos? Nenhuma. Simplesmente não é possível apagar o Sol com água. Primeiro porque seria um tanto trabalhoso, não acha? Segundo porque, se jogarmos água no Sol, o mesmo vai aumentar sua temperatura, não diminuir. “O que?! Impossível! Não podemos pegar dois corpos, fazê-los trocar calor e chegar numa temperatura maior ainda! Já jogou água gelada numa coisa quente e viu ela ficar ainda mais quente?!” você deve estar pensando… (Não?) A questão é que o Sol não está queimando. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o Sol não é uma imensa bola de fogo. Não existe oxigênio em abundância no espaço, portanto nem poderia estar queimando pois não pode existir combustão sem oxigênio. Mas se o Sol não está pegando fogo, o que é que alimenta a estrela que nos ilumina todas as manhãs?

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O que alimenta o Sol? Dica: Não é papinha de bebê…

A resposta para essa pergunta é mais recente do que você pode estar esperando. Lorde Kelvin foi um dos maiores físicos e nomes da termodinâmica do século 19 (Escala Kelvin, alguém?) e sabia que uma simples reação de combustão não seria suficiente para manter o Sol. Se esse fosse o caso, o Sol geraria aproximadamente 3000 anos de calor. Kelvin então desenvolveu sua teoria de que a energia do Sol era proveniente da energia gravitacional dos primeiros meteoros que o formaram. Esse novo modelo o dava uma estimativa de vida de aproximadamente 20 milhões de anos, tempo esse que é bem menor do que a idade estimada (na época) do próprio sistema solar, de 300 milhões de anos. Kelvin inclusive era veementemente contra a teoria da evolução de Darwin, acreditando não haver tempo suficiente para a mesma e desdenhando de suas estimativas sobre a idade da Terra (Ah, a ironia…). Hoje sabe-se que a idade do Sol é de aproximadamente 4.6 bilhões de anos. Foi somente na primeira década do século 20 que as coisas começaram a esquentar… E muito. Conheça a Fusão Nuclear.

Depois de muitas teorias furadas, foi somente com o advento da física nuclear no século 20 que uma resposta começou a se formar. Foi a famosa equação E = mc² que relaciona massa e energia que entregou de bandeja a principal pista que faltava. Em 1920, o astrofísico britânico Arthur Eddington finalmente chegou a resposta. Eddington propôs que a pressão e temperatura do núcleo solar eram grandes o suficiente para uma reação de Fusão Nuclear. Numa forma simplificada… Na fusão, 2 átomos de Hidrogênio se fundem para formar 1 átomo de Hélio. Isso gera quantidades enormes de energia. Maiores até que na Fissão Nuclear, processo usado nas bombas atômicas. Se jogássemos água no Sol, seus átomos se dissociariam com o calor extremo e alimentariam ainda mais a Fusão. Portanto, se jogássemos água no Sol, estaríamos alimentando ele! Em vez de apagar, o Sol se tornaria ainda mais quente e brilhante. (Como se já não estivesse calor o suficiente…Obrigado!) Porém, e se eu dissesse a você que, de uma certa maneira, teoricamente é possível sim apagar o Sol com água? E a resposta está na sua cor…

O Sol é branco.
O Sol visto do espaço é branco.

Talvez o motivo de tanta confusão em relação aos processos de energia do Sol é a aparência “incendiária” do Sol. Certamente você já viu fotos do nosso Sol com suas labaredas amarelas, vivazes e… falsas. Pode ser difícil de acreditar, mas o Sol, visto do espaço, é branco. “Oi?! Primeiro aquela besteira sobre água. Agora você vem me dizer que o Sol não é amarelo?!” Sim. E não é nenhuma teoria da conspiração maluca. Sua aparência amarela é devida a nossa atmosfera e por isso astrônomos costumam tratar digitalmente suas imagens para que o Sol fique mais reconhecível para nós, leigos. Astrônomos inclusive utilizam a cor das estrelas como indicativo de suas temperaturas. Na verdade, estrelas amarelas são menores e mais frias. E quanto mais azul é uma estrela (digamos que as brancas estão num meio termo), maior e mais quente ela é, porém possuem uma vida mais curta. “Vida mais curta?” Sim. Mais massa significa maiores pressão e temperatura, que por sua vez consomem a “massa adicional” mais depressa. Considere a seguinte analogia: Imagine jogar gasolina numa lareira. A temperatura vai aumentar e a lenha será queimada mais depressa. Ou seja, jogar água no Sol diminuiria sua expectativa de vida. Se você adicionasse 1 bilhão e meio de oceanos ao Sol, estaria diminuindo sua expectativa de vida de mais 5 bilhões de anos para apenas algumas centenas de milhões. E de uma certa maneira… Apagando o Sol.  Então por favor, não tentem isso em casa. Vamos manter nosso Sol vivo por mais alguns anos. :)

A questão desse artigo foi inspirada no vídeo “armas no espaço” do canal americano Vsauce. Se ainda não viu, confira abaixo pois vale a pena! Nos ajude compartilhando e comentando! :)

 

4 COMENTÁRIOS

  1. Estou eu aqui mais uma vez!

    Manter o Sol aceso por algumas centenas de milhões de anos? Do jeito que as coisas vão aqui na Terra, tenho a impressão de que poderíamos usar alguns bilhões a mais de oceanos que o tempo de existência do Sol ainda superaria o instante que levaremos para nos destruirmos.

    Achei interessante você ter falado sobre o Arthur Eddington neste artigo que antecede aquele que versa sobre o tempo (eu li este último primeiro). Afinal de contas, o astrofísico inglês foi o primeiro a lançar a ideia de “seta do tempo”, segundo a qual o fluxo temporal seria irreversível. Há alguma coincidência nisso? Ou foi uma espécie de preparação?

    Abraço,
    Luiz.

  2. Fala, Luiz!
    Falar do Eddington não foi de propósito não. Hahaha Mas diversas coisas sempre acabam se conectando… Seria uma questão de entropia né? Talvez o fluxo temporal seja irreversível apenas porque estamos acostumados com isso. Para algumas partículas, o outro lado da seta talvez seja o comum. ;) Porém como um chute pessoal meu… Também não acho que seja possível. Não por uma questão de não conseguirmos a tecnologia ou algo assim, mas porque talvez “voltar ao passado” nem seja algo que faça sentido. Afinal de contas nem sabemos o que é o tempo! Um abraço!

    Ewerton

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