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Ainda estamos longe de uma realidade virtual perfeita como em Matrix, aonde humanos conectam diretamente suas mentes no mundo virtual. Isso inclusive é um debate filosófico interessante… Quem te garante que você não é apenas um cérebro num jarro de um cientista maluco recebendo estímulos perfeitamente calculados? Apesar de ainda estarmos longes de algo assim, ou talvez nunca nem mesmo alcancemos tamanho realismo, existem alguns casos em que a realidade alcançou sim a ficção. Jogador N° 1 (Ready Player One no original) é um livro escrito por Ernest Cline e que está marcado para virar filme dirigido por Steven Spielberg no final de 2017. O livro descreve o ano de 2044, aonde o mundo passa por uma imensa crise energética e cenários de destruição e extrema pobreza são comuns. Nesse mundo, a única escapatória para essas pessoas é o OASIS, um mundo virtual aonde as pessoas estudam, trabalham e se relacionam sem precisar sair de casa. Porém, ao contrário de Matrix, a maneira de se conectar a esse mundo é através de um óculos de realidade virtual. Soa familiar?

Realidade Virtual é só para os fortes...
Realidade Virtual é só para os fortes…

Em setembro de 2012, a empresa Oculus conseguiu levantar mais de dois milhões de dólares apenas com financiamento popular para seu novo produto, o novo óculos de realidade virtual Oculus Rift. Parece muito? Pois saiba que o Facebook recentemente pagou dois bilhões de dólares pela empresa. Outras empresas gigantescas, como o Google e a Sony, também estão investindo pesado no mercado desde então. Parece ser uma unanimidade: realidade virtual é a tendência do momento. O funcionamento do óculos é bem simples, algo que já conhecemos desde o século passado. Duas imagens levemente diferentes são enviadas para cada olho, permitindo seu cérebro ver em três dimensões. Porém, o que realmente gera a imersividade que está deixando todo mundo louco é que quando movemos nossas cabeças, a imagem também se move! Esse é um dos motivos dessa tecnologia não ter engrenado antes, pois isso demanda computadores muito potentes que não existiam na época. Com isso, a realidade virtual deixa de ser apenas um “truque bacana” como em uma TV 3D para ser uma experiência muitas vezes até um tanto assustadora, onde o seu cérebro demonstra real dificuldade em separar o real do fictício. Numa passeada pelo YouTube é possível ver as reações de quem já experimentou: Gritos, suor, pânico… Tem de tudo. (Como o carinha do vídeo aí de baixo.) Mas quão real pode ser essa experiência?

THE VOID, parque em UTAH
The VOID, a realidade virtual quase real…

Do ponto de vista visual, a experiência vem se aproximando muito do real. Os gráficos estão cada vez melhores, os movimentos de cabeça mais precisos e alguns óculos agora conseguem até detectar o movimento dos seus olhos, mudando o foco de objetos! Porém, apesar de extremamente poderosa, a experiência é limitada apenas a nossa visão. E é isso que diversas empresas estão tentando resolver… Algumas empresas já estão fabricando óculos em que é possível sentir brisas e até cheirar coisas. Outras estão desenvolvendo plataformas deslizantes em que é possível “se deslocar sem sair do lugar”. Por fim, algumas estão indo ainda mais além e desenvolvendo tecnologias em que é possível sentir objetos com o toque através de ondas sonoras. Porém, a tecnologia ainda está muito no começo… Como é possível fazer com que a experiência seja ainda mais real do que já é? Simples, tornando ela real. The Void é o novo e pioneiro parque temático de realidade virtual, localizado em Utah, nos Estados Unidos. Nele, um ambiente real corresponde ao ambiente virtual, por isso é possível andar e interagir pelo parque, porém, através das lentes de uma realidade fantástica. O The Void utiliza alguns truques para tornar a experiência ainda mais real, como fontes de calor para imitar tochas e objetos que afundam no chão para que você, na verdade, pense que está subindo.

Mission: SPACE, atração da Disney World
Mission: SPACE, atração da Disney World

A Disney por exemplo é mestre (o mínimo que posso dizer) nesse tipo de truque. Os visitantes da Disney World experimentam coisas fantásticas no parque, como na atração Mission: SPACE, onde através de uma enorme centrífuga (mesma usada por astronautas em treinamentos) é simulado um “aumento de gravidade” num voo espacial. A Disney raramente dá brechas sobre a “tecnologia por trás da magia”, o que torna tudo ainda mais real. Às vezes tão real quanto assustador… Depois de duas mortes no brinquedo, a Disney criou uma versão mais light do brinquedo, onde apenas um simulador de movimentos é usado. (Cabe lembrar que ambas as pessoas foram descuidadas ao entrar no brinquedo, pois sofriam de problemas de saúde.) Quando esse tipo de tecnologia de ponta chegar no mundo da realidade virtual, será difícil distinguir o que é real e o que é fictício. As possíveis aplicações da indústria vão muito além dos jogos e brinquedos, sendo usada até para expor pessoas às suas fobias em tratamentos, tamanha é a veracidade da experiência para o seu cérebro. Lembra de Ernest Cline, autor do livro Jogador Nº 1? Ele não só provavelmente se inspirou na tecnologia primitiva já existente para criar seu livro como muitos funcionários da Oculus disseram ter o livro como sua principal inspiração para o projeto. Ou seja, a arte imita a vida e a vida imita a arte. Um pouquinho dos dois… Portanto, só nos resta esperar o que está por vir.

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